Rumo às Serras de Fafe

Nas duas primeiras etapas, cruzaram-se vales e rios, treparam-se e desceram-se montes, mas sempre em altitude relativamente baixa e em condições amenas. A partir do alto do Santinho, começam verdadeiramente as extensas Serras de Fafe. O objetivo da terceira etapa era o de percorrer os altos que dividem os concelhos de Fafe e Celorico de Basto, até à capela da Senhora da Guia.

Estava um dia encoberto, com alguns chuviscos. Tinha nevado nos pontos mais altos de Fafe no dia anterior. O frio era intenso mas não impediu que tivesse a companhia de três bravos exploradores – Jorge Lemos, Mauro Fernandes, e Nuno Fernandes. Arrancámos bem cedo do cemitério de Quinchães e enfrentámos logo no primeiro quilómetro a grande dificuldade do dia, com a ascenção ao alto do Santinho, em que vencemos um desnível de mais de 100m. Com os músculos ainda frios, a subida custou ainda mais.

A partir do Santinho e até à Lameira, o percurso é bastante acessível, quase sempre por pista de saibro. Ziguezagueámos por entre penedos e pequenas colinas e rapidamente atingimos a aldeia da Lameira, que acordava para a missa matinal. Com a aldeia para trás, procurámos seguir o trilho que nos levaria até ao alto da Serra do Marco, na Pedreira. Após algumas hesitações, encontrámos a ligação à pista principal, que nos leva ao longo do vasto parque eólico. A subida é gradual e faz-se sem grande dificuldade. Tentámos por uma vez deixar a pista e seguir um velho trilho, mas rapidamente tivemos de o abandonar, pois, devido à falta de uso, já se lhe perde o rasto.

Está documentada a existência de vestígios megalíticos – mamoas e cistas – e de arte rupestre a poucos metros do nosso percurso. No entanto, a falta de visibilidade, o frio e, sobretudo, a falta de sensibilidade para identificar estes rastos da nossa pré-história obrigam-nos a seguir caminho sem parar. No entanto, haverei de cá voltar com mais e melhor tempo. Estas serras de Fafe, assim como muitas outras serras de Portugal, foram eleitas como última morada de muitos antepassados nossos e eram locais de culto certamente com um misticismo muito especial. Não espanta que as mulheres e homens com sensibilidade espiritual se sintam mais próximos do divino nestas zonas inóspitas mas de profunda beleza.

Mas continuemos… À chegada à Senhora da Guia, o frio era ainda mais difícil de suportar, com o vento forte que nos castigava. Rapidamente desfizemos uns pequenos snacks e encetámos o caminho de regresso, pelos vales e colinas de São Gens. Aqui, o percurso tornou-se bastante mais interessante, pois pisávamos caminhos antigos, várias vezes por entre a floresta e atravessando alguns cursos de água.

Ao fim de 3 reconhecimentos, o trajeto leva pouco mais de 38km. A esperança de poder concretizar a façanha aumenta. Próxima etapa: contornar o vale de Moreira de Rei e correr em direção a poente!

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