Pelos Trilhos do Vento até à Toura

Após uma pausa de duas semanas, motivada pela peregrinação aos Ultra Trilhos dos Abutres, reúno umas forcinhas adicionais para vencer as ainda dolorosas mazelas da prova e a normal tendência para a preguiça nos dias que se seguem a um esforço daquela dimensão. A determinação de pelo menos perceber quão realizável é a façanha continua forte. Impus-me no entanto um limite de 20km para o quarto reconhecimento, pois há que respeitar o corpo, que não perdoa quando o maltratamos!

Juntei o útil ao duplamente agradável, que é ter a oportunidade de correr e conviver com o meu irmão Frederico. O objetivo do treino era ligar a capela da Senhora da Guia ao marco geodésico da Toura, sobranceiro à barragem da Queimadela. Felizmente, temos o PR10 (Trilhos do Vento) que percorre uma boa parte desse trajeto e que facilita imenso a tarefa de preparação do percurso. Apenas teria de fazer um desvio/extensão para atingir sem dificuldade o alto da Toura.

Estava mais uma manhã bem fria, apesar do magnífico sol e céu perfeitamente limpo. A caminho de Fafe, em Cepães, o termómetro marcava -2º. À chegada a Vilela, o ponto onde iríamos encetar o PR10, a temperatura subia ligeiramente… para os 0º. Tentámos aquecer um pouco antes de arrancar, mas não resistimos. Tivemos de iniciar a corrida rapidamente, para não gelarmos! Depois de descermos à aldeia de Vilela, atravessámos o pequeno vale, onde abunda a água dos vários ribeiros que afluem em direção a Moreira de Rei. Subimos a calçada milenar em direção aos montes e rapidamente chegámos a uma elevação descoberta, típica das serras fafenses. Fomos subindo gradualmente, vencendo uma inclinação mais exigente do que antevíramos. Finalmente, atingimos a Senhora da Guia. Pequena pausa para reconhecer os picos que se avistam ao longe – Ervideiro e Senhora da Orada – e retoma-se o percurso em direção à casa do Penedo.

O terreno envolvente da casa do Penedo está agora vedado com rede e arame farpado, cortando mesmo o PR10 em dois pontos. Provavelmente, o proprietário do terreno fartou-se de ver veículos motorizados a destruir aquilo pelo qual certamente nutre especial afeição. Mas lá conseguimos saltar ou passar por baixo das vedações e chegámos sem dificuldade ao Confurco. Aqui, não fosse o conhecimento prévio do percurso, certamente teríamos dificuldade em seguir o PR. A subida em direção ao alto do Malhadouro faz-se a custo, mas sempre recompensada com admiráveis vistas para as colinas e vales circundantes.

Chegados ao Malhadouro, inicia-se o desvio ao PR e a aventura da descoberta de novos trilhos. Tentámos ligar ao PR2, um pouco antes de Pedraído, mas não foi possível, devido ao denso matagal. Seguimos pela estrada cerca de 500 metros e entramos novamente em trilho. A presença de gelo nos trilhos é uma constante, na forma de poças vidradas ou de lama petrificada. A sensação de cascas de ovos a quebrarem sob os pés torna a corrida ainda mais divertida.

Albufeira da Queimadela

Albufeira da Queimadela

Até à Toura, seguimos por trilhos acessíveis, num agradável carrossel de sobe e desce pelas colinas. Lá chegados, pudemos apreciar calmamente a vista sobre a albufeira da Queimadela. À nossa direita, o alto do Maroiço. À nossa frente, avistamos a vertente norte, quase vertical, do alto de Santa Marinha, um dos próximos objetivos deste projeto. Após algumas fotos, é tempo de regressar, até porque os músculos começam a esfriar.

Fomos descendo gradualmente pelos estradões da freguesia de Ribeiros, passámos junto ao alto do Lobo e, finalmente, quando já se começava a sentir o cansaço acumulado das últimas semanas, retomámos o trajeto do PR10, novamente até à aldeia de Vilela.

Acrescentaram-se 11km ao percurso total. Já totaliza cerca de 50km! A próxima investida será na zona da albufeira da Queimadela, com o objetivo de atingir, do outro lado, o alto de Vale Bom. Estou a chegar a uma fase decisiva… em que terei de optar por uma Ultra Endurance ou só uma Ultra!

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