O regresso a Guimarães por Santa Marinha

No reconhecimento anterior, do alto da Toura, avistava-se não muito longe, com uma inclinação quase vertical, a encosta norte do alto de Santa Marinha, junto ao limite com o concelho de Guimarães. Este será portanto o último troço pelas belas terras de Fafe. Como não consegui preparar o percurso com razoável tempo de antecedência, apenas publiquei o evento na tarde da véspera. Mesmo assim, tive a excelente e indispensável companhia de três aventureiros: Filipe Lages, José Meira Rodrigues e o quase totalista Mauro Fernandes!

Partimos da aldeia de Travassós e seguimos em direção a nascente, para conquistar novamente a Toura. Tratando-se de uma zona densamente povoada, tivemos de seguir muitas vezes por asfalto, com algumas incursões pela floresta. Antes da chegada à capela de São Sebastião, fizemos uma pequena paragem para visitar o vértice geodésico a poucas centenas de metros, que certamente já deixou de cumprir a sua função, tanta é a presença de eucaliptos altos à sua volta.

Encetámos a longa subida em asfalto até ao trilho que nos permitirá ascender à Toura pelo lado sudoeste. Este trilho é um longo ziguezaguear pela encosta coberta apenas de vegetação rasteira e de monólitos aqui e acolá. À medida que subimos, fomos avistando a albufeira da barragem da Queimadela atrás de nós. A subida não foi fácil e foi com alívio que atingimos o vértice geodésico. Fizemos uma breve paragem para fotografias e para identificar os montes que mais destacam à nossa volta: Maroiço e Santa Marinha. Depois, foi deixar-nos embalar pela descida rolante até à margem da albufeira da Queimadela, onde seguimos o trilho do PR4.

Vértice geodésico da Toura

Vértice geodésico da Toura

Chegados à aldeia do Pontido, fizemos mais uma breve pausa para apreciar a beleza do curso de água do Vizela e do casario envolvente. Este é certamente um dos locais mais belos do Minho interior e tão pouco visitado, mesmo pelos habitantes dos concelhos vizinhos… Retomámos o PR4, ao longo da margem da barragem, até ao ponto em que cruza com o PR1. Aí subimos algumas centenas de metros pelo trilho e tivemos de divergir para oeste em direção ao próximo objetivo: vértice geodésico de Vale Bom.

Pontido, Queimadela (foto de Mauro Fernandes)

Pontido, Queimadela (foto de Mauro Fernandes)

O trajeto até Vale Bom lembrou um pouco o percurso feito na semana anterior entre o Malhadouro e Toura, num constante sobe e desce divertido pelas colinas cobertas de pedregulhos. Já estávamos a poucos quilómetros do alto de Santa Marinha, que cada vez mais se anunciava como um desafio duro de roer. Descemos rapidamente até ao vale de Travassós, atravessámos a estrada nacional e então enfrentámos a grande dificuldade do dia e certamente uma das mais duras de todos os episódios desta aventura. A subida a Santa Marinha, seja qual for a vertente escolhida, não é pêra doce, mas a vertente leste, talvez pela maior distância do sopé ao alto, e pela forte inclinação, aparenta ser a mais difícil. Ou então é porque já levávamos quase 20 kms nas pernas e já tudo deixara de ser um simples passeio.

Depois de umas pequenas hesitações a poucas centenas de metros da capela de Santa Marinha, seguimos, sem sabermos, pelo mais duro trilho de acesso à capela, mas também o mais interessante: uma calçada milenar, provavelmente do tempo dos celtas. Da calçada pouco resta: apenas as lajes partidas e bastante revolvidas pela erosão. Mas saltam várias vezes aos olhos as características marcas em forma de losango que se vêem nos acessos a vários castros da região. Uma boa descoberta e mais uma prova da muito antiga presença humana sedentária neste local.

Chegados à capela de Santa Marinha, encontrámos um grupo de ciclistas que aproveitavam para repor energias. No nosso caso, estávamos quase no fim do percurso e o vento frio gelava os nossos corpos castigados pela subida. Por isso, estivemos pouco tempo no alto, mas sempre deu para observar as amplas vistas e tirar a fotografia da praxe no miradouro sobre o vale do Ave. Retomámos rapidamente a descida do monte, quase pelo mesmo caminho da subida. Mais ou menos a meio da encosta, virámos à direita em direção à aldeia de Travassós. A chegada ao ponto de partida fez-se calmamente, em fáceis descidas sobre asfalto.

Miradouro de Santa Marinha (foto de Mauro Fernandes)

Miradouro de Santa Marinha (foto de Mauro Fernandes)

O vértice de Santa Marinha é um ponto decisivo no planeamento da Ronda, pois aqui, aproximadamente ao quilómetro 60, surgem duas opções: continuar por mais algumas dezenas de quilómetros (em direção ao Sameiro e regressando depois por Brito) ou encurtar a aventura e seguir por Rendufe até à Penha. É o momento de fazer uma pausa de reflexão e de estudo. Daqui a duas semanas vê-se…

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