Dos altos de Gonça ao Monte de São Romão

Depois de umas semanas de reflexão, decidi arriscar continuar o percurso em direção à grande volta! A distância total ainda é uma incógnita, mas certamente ultrapassará os 100km. A etapa de hoje foi dedicada à ligação entre o alto de Santa Marinha e o monte de São Romão, em plena Citânia de Briteiros. Depois do ensaio da semana passada, em que, com a ajuda do Jorge Lemos, fizemos uma boa parte do percurso até ao alto do Penedo, revi o trajeto e decidi retomá-lo, com pequenas alterações, mas com prolongamento até ao alto de São Romão, em Briteiros.

Vista do alto de Santa Marinha

Vista do alto de Santa Marinha

Às 7h30, já estava no alto de Santa Marinha, de onde iniciaria o reconhecimento. Aproveitei para observar os dois primeiros montes a que me iria atirar nas horas seguintes: à direita, o alto de Lajedas (Sra. do Monte); à esquerda, o alto do Penedo, junto ao aterro de Gonça. Pelo meio, iria atravessar Freitas e Gonça.

Desci o monte de Santa Marinha pelo asfalto, para chegar rapidamente à base do próximo monte. A subida fez-se bastante bem, com a beleza da paisagem a contrastar com o nevoeiro da semana anterior. Este monte é provavelmente um dos mais bonitos de Guimarães, apesar da pedreira existente na vertente oeste. As restantes encostas têm sobretudo vegetação rasteira e permitem observar o relevo à volta.

A existência da capela da Senhora do Monte, além de vestígios arquelógicos valorizados recentemente, comprovam a ocupação e sacralização do local desde há muito.

Pouco antes de atingir o cume, já com o vértice geodésico à vista, alcança-se um pequeno muro com duas pedras altas a marcar a entrada numa zona digna de destaque. Falta saber se é o acesso aos terrenos mais abaixo (pouco provável, pois estes distam bastante daquele ponto) ou se se trata de um vestígio de uma ocupação do alto do monte, já referenciada nos índices arqueológicos. Junto ao vértice e mais abaixo, já em direção à capela da Senhora do Monte, observam-se penedos com sinais de trabalho humano.

Entrada para o castro da Sra. do Monte

Entrada para o castro da Sra. do Monte

A descida para Gonça faz-se rapidamente, em piso fácil, atravessando a pedreira. Depois de cruzar o casario de Gonça, sigo em direção a noroeste, para atacar a subida ao próximo vértice geodésico. O labirinto de caminhos florestais fez-me progredir mais lentamente do que gostaria. Chegado ao planalto, tive dificuldade em localizar a zona onde se encontra o vértice geodésico. Além disso, os supostos caminhos até ao marco ficaram totalmente cobertos pelo mato. Foi um suplício até conseguir aproximar-me do troféu e até mesmo para me afastar. Mas valeu pela descoberta de duas mamoas, a uma centena de metros do marco geodésico. Das mamoas, já só resta a cratera, sinal de violação em tempos remotos. Novamente no trilho, iniciei a descida em direção a Donim. À esquerda, o monte de lixo do aterro sanitário, que se vai tornando cada vez mais verde, mas de onde não desaparecerá tão cedo a poluição…

Vista para o aterro de Gonça

Vista para o aterro de Gonça

Atravesso as pedreiras de Gondomar, onde ainda resistem majestosamente gigantescos monolitos de granito, que certamente garantirão ainda muitos anos de trabalho àquela gente e também muita poluição – o ar naquela zona contém muita poeira de pedra e as águas que fluem pelas pedreiras saem de lá com uma cor esbranquiçada.

Depois de passar o Ave pela ponte de Donim, sigo em direção ao sopé do monte de São Romão. Inesperadamente, entro no trilho do PR da Citânia e vou subindo a calçada milenar, ziguezagueando pelo monte. Finalmente, atinjo o limite da Citânia. Por sorte, apesar de um dos portões estar fechado a cadeado, a generosa folga permitiu-me entrar e seguir ao longo da imponente muralha até à capela de São Romão. O resto da aventura nada tem de especial a contar. Foi simplesmente fazer o percurso inverso, atalhando aqui e acolá para conseguir chegar a Santa Marinha a horas decentes, embora não tenha evitado uma dura subida, sob um quente sol a anunciar a Primavera!

Capela de São Romão

Capela de São Romão

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