Roteiro da Ronda do Marão

A Ronda do Marão, agendada para o dia 6 de fevereiro (ver evento Facebook), resultou de um percurso idealizado por António Daniel Mendes, da A.D. Amarante Trail Running. Quando surgiu a iniciativa da Ronda dos Cumes Sagrados, o António anteviu um percurso que encaixava perfeitamente nos critérios da Ronda: longa distância, muitos vértices geodésicos e muitos locais sagrados ao longo dos cumes que pontuam o percurso. A proposta foi feita ainda no verão, mas ficou a marinar até ao inverno. Agora que o frio aperta no Marão, está na hora de pôr a rota e os rondeiros à prova!

Escusado será alertar para os perigos da montanha, sobretudo em pleno inverno. Uma boa preparação mental, levar para o desafio víveres suficientes e equipamento adequado às condições climatéricas e do terreno é fundamental para esta aventura ficar positivamente gravada nas nossas memórias!

Partida/Chegada – Mosteiro de Gondar

Igreja do Mosteiro de Gondar

Mosteiro de Gondar (foto de João Sardoeira)

Para aumentar as probabilidades de concluir a Ronda ainda de dia, a partida far-se-á bem cedo, às 7h00, no Mosteiro de Gondar, a cerca de 200m de altitude, a meia encosta no vale do Rio Ovelha. Este antigo mosteiro feminino da Ordem de São Bento data do séc. XII e terá sido fundado por Mendo de Gundar, um asturiano que acompanhou o Conde Henrique de Borgonha na missão de repovoar e redinamizar o noroeste peninsular. O mosteiro está implantado na antiga rota que ligava a villa de Amarante a Trás-os-Montes. Uma pequena parte desta rota será percorrida pela Ronda, como veremos adiante.

Cume I – Alto do Picoto (km 4)

Deixaremos Gondar em direção a nordeste, atravessando a falha geológica que originou a Ribeira do Marancinho e seguindo por caminhos florestais, entre Sanche e Vila Chã do Marão, até ao primeiro cume do dia, o alto do Picoto, a 553 metros de altitude. O Picoto, como muitos outros locais com o mesmo nome, foi um local onde as povoações da Idade do Ferro ou dos tempos da romanização estabeleceram redutos fortificados, mais ou menos permanentes. Daqui, avistam-se as terras de Basto a norte e, do outro lado, as serras do Marão e da Aboboreira.

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O alto do Picoto num treino da AD Amarante Trail Running

Capela de São Bento (km 7)

Descemos do Picoto e retomamos o antigo caminho medieval em direção às entranhas do Marão. Encontramos por vezes vestígios das lajes da calçada. De um lado da crista, temos o vale do Olo, que vem da Serra do Alvão a caminho do Tâmega. Do outro, o vale do Ovelha e a milenar aldeia de Aboadela. Pouco antes de atingirmos o sétimo quilómetro, passamos pelas ruínas de uma antiga estalagem medieval, que assistiu a inúmeras estórias de viajantes que venciam repetidas vezes as dificuldades da montanha. Algumas centenas de metros depois, iniciamos a pequena subida ao alto da Capela de São Bento, a 530m de altitude. Aqui, pode-se dizer que começa verdadeiramente a Serra do Marão e podemos avistar o corta-fogo que nos levará ao alto do Outeiro Santo.

Cume II – Alto do Outeiro Santo (km 11)

Logo após São Bento, iremos abandonar o caminho medieval para encetarmos a longa subida ao Outeiro Santo, por um corta-fogo em área de mato. Somaremos cerca de 300 metros de desnível positivo em pouco mais de um quilómetro. Lá em cima, estaremos a 860m de altitude e atingiremos o extremo norte da rota, com uma panorâmica ímpar para a Serra do Alvão e para o vale da nascente do Ovelha. A descida para Covelo do Monte, lá ao fundo do vale, será ainda mais abrupta e divertida.

Covelo do Monte (km 12)

Esta será a primeira aldeia de montanha que encontraremos ao longo do percurso. Predominam as velhas construções de xisto e granito, algumas com telhados de lousa. A vida pastoril e agrícola ainda é uma realidade bem presente em Covelo. Há aqui um café, mas está quase sempre fechado, pelo que é melhor não contar com esta hipótese de abastecimento. Certo é encontrar aqui vários pontos de água para reforçar as reservas de líquidos.

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Covelo do Monte, com o alto do Outeiro Santo por trás

Cume III – Alto da Neve (km 17)

A saída de Covelo irá fazer-se em terreno quase plano, ao longo do vale, à sombra de florestas autóctones ou de pinhais. Por volta do km 14, inicia-se a longa subida (cerca de 3 km) até ao vértice geodésico da Neve. O trilho ladeia a Portela dos Trigais até à Costa do Pedrado. Aqui encontraremos as minas desativadas de Fonte da Figueira, de onde se explorou estanho e volfrâmio até à década de 70 do século passado. Das minas ao alto da Neve é mais uma descidinha a subir até aos 948m.

Depois do alto da Neve e durante cerca de 10 km, teremos um sobe e desce constante sem grandes declives, mas com um desnível acumulado de 1000m. Portanto, cuidado com as ilusões do gráfico!

Cume IV – Senhora da Moreira (km 20)

A curta passagem até ao alto da Senhora da Moreira, já no território de Ansiães, incluirá a travessia do belo arvoredo do Parque de Lazer da Lameira e a vista para o vale da Ribeira de Leigido onde, do outro lado, vemos a imponente Fraga de Leigido. Segundo a lenda, foi dali que sairam as pedras para a construção do Mosteiro de São Gonçalo de Amarante. No alto da Moreira, a 972m, encontraremos a capela onde acorrem milhares de fiéis todos os anos, numa dura ascensão por um caminho medieval desde Ansiães.

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Parque de Lazer da Lameira

Cume V – Alto de Freitas (km 30)

Quando deixarmos a Moreira, seguiremos pela crista do monte, com o IP4 e o vale do Rio Marão à nossa direita, até à Pousada de São Gonçalo (km 24). Este será um dos raros locais onde poderemos aproveitar para suprir alguma necessidade de líquidos/sólidos. Após a travessia do rio Marão, iniciaremos aquela que será a subida mais dura do percurso, com cerca de 500m de desnível positivo em menos de 4 km. Lá em cima, no alto de Freitas, estaremos a 1347m de altitude. Teremos a companhia das ruínas de uma capela cujas origens estão envoltas em mistério. Avistaremos a sul a aldeia perdida de Montes e, à nossa altura, o cume maior do Marão, a Senhora da Serra.

Cume VI – Senhora da Serra (km 34)

De Freitas à Senhora da Serra, é uma curta distância, em piso fácil. No entanto, já estaremos bastante desgastados pelo esforço e pelas condições climatéricas sempre agrestes àquelas altitudes. A chegada ao cume dos cumes desta Ronda, a 1416m de altitude, será certamente um momento de celebração.

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Senhora da Serra – foto de Francisco Alba

Cume VII – Alto do Penedo Ruivo (km 39)

Quando deixarmos a Senhora da Serra, teremos um castigo para os nossos joelhos, com uma descida abrupta de 200m em cerca de 1 km. Nesta parte do percurso, entraremos no concelho de Baião (freguesia de Teixeira). Depois, espera-nos uma subida gradual ao alto do Penedo Ruivo, situado a 1237m de altitude. Encontra-se aqui um dos muitos parques eólicos do Marão. Vento não irá faltar!

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Descida para o Penedo Ruivo – foto de José Carlos Callixto

Cume VIII – Alto da Chorida (km 43)

A partir do Penedo Ruivo, podemos dizer que será sempre a descer até Gondar. Mais ainda faltam 17km! Continuaremos no limite entre Amarante e Baião, no extremo sul da rota. À nossa esquerda, veremos o belo vale de Mafómedes e do outro lado o imponente maciço dos Seixinhos, uma das vistas mais impressionantes do Marão. Quando chegarmos ao vértice geodésico da Chorida, já só estaremos a 1088m de altitude.

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Alto da Chorida

Cume IX – Alto do Mirador (km 50)

A partir da Chorida, voltamos a entrar definitivamente no concelho de Amarante, alternando entre as freguesias de Candemil e Carneiro. Continuaremos a descida gradual ao longo das cristas da montanha. Nesta altura, já só estaremos a pensar em dar descanso ao corpo. Provavelmente, poucas forças teremos para visitar a Capela de Nossa Senhora de Corvachã, a poucos metros do nosso último cume, o alto do Mirador, a 755m de altitude.

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Capela de Nossa Senhora de Corvachã – foto de Rui Miguel Almeida

Até Gondar, teremos oportunidade de atravessar um dos raros locais civilizados desta Ronda – a aldeia de Bustelo -, onde poderemos celebrar antecipadamente a Ronda com umas boas minis! Poucos quilómetros depois, no fundo do vale, espera-nos novamente Gondar – esperemos que ainda de dia! Convém não esquecer que ainda teremos que subir algumas centenas de metros até ao mosteiro!

Ficha Técnica

  • Distância estimada: 60 km
  • Desnível positivo estimado: 2400m
  • Duração estimada: 8-10 horas (depende de muitos fatores)
  • Traçado do percurso: Wikiloc
rota

Visão geral

altimetria

Perfil altimétrico

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One thought on “Roteiro da Ronda do Marão

  1. Pingback: Ronda de Basto: o epílogo | Ronda dos Cumes Sagrados

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