Trail-Aventura dos Cumes do Alto Marão

Devido ao interesse que o Trail-Aventura dos Cumes do Alto Marão (TACAM) tem vindo a despertar, particularmente junto de pessoas que nunca ouviram falar antes da Ronda dos Cumes Sagrados e portanto desconhecem o modelo destas aventuras, é importante partilhar alguns detalhes e conselhos para quem estiver a planear juntar-se ao desafio do próximo dia 3 de fevereiro.

valerioteixeira

O verdejante vale do rio Teixeira

Auto-suficiência

Nos eventos da Ronda, não há uma entidade organizadora que prepara uma experiência com todas as comodidades habitualmente facilitadas em provas de trail convencionais. Estes são eventos em que um grupo de pessoas decide juntar-se para um dia bem passado na montanha, em que cada um trata de assegurar a sua própria auto-suficiência. Portanto, convém deixar bem claro que:

  • não há marcações ao longo do percurso;
  • não há abastecimentos;
  • não há seguro;
  • não há meios de socorro;
  • não há transporte para o local de partida para quem desistir durante o percurso.

Assim, cada participante deverá:

  • Ter alguma experiência de ultra trail (se nunca fez distâncias superiores a 40 km, é melhor não estrear-se nestas condições) e de corrida/marcha durante várias horas em condições adversas (chuva e baixas temperaturas).
  • Levar líquidos e sólidos suficientes para 7 a 9 horas na montanha – não contem com pontos de água na serra.
  • Ir equipado, se possível no relógio de corrida ou no telemóvel, com o percurso disponibilizado (ver detalhes mais abaixo). Caso não tenha meios para o fazer, irá depender de terceiros para se orientar, embora não seja impeditivo para participar.
  • Estar mentalizado para, no caso de enfrentar obstáculos que impeçam de continuar a aventura, ter de regressar pelos seus próprios pés até ao local de partida. Obviamente que, caso alguém esteja com dificuldades físicas que impeçam o regresso à partida, terá à sua volta pessoas que estarão dispostas a ajudar e que nunca o/a abandonarão!

Entreajuda

Este evento não é competitivo. Até hoje, nunca houve um evento da Ronda em que os participantes não fossem solidários uns com os outros e não será certamente desta vez que isso irá acontecer. Habitualmente, corremos todos em grupo, uns mais rápidos e outros mais lentos, reagrupando-nos frequentemente e nunca perdendo os colegas da linha de vista. Somos um grupo coeso formado por pessoas bem dispostas, pacientes e que se entreajudam. Obviamente que, caso o número de participantes o permita, nada impede que se formem vários grupos a ritmos diferentes, desde que em cada grupo haja pelo menos um elemento que conheça o percurso ou seja capaz de o seguir autonomamente. Não é de todo recomendado que alguém se aventure a seguir o percurso sozinho!

Condições climatéricas

Quem já esteve no Marão sabe que se trata de uma montanha agreste em qualquer altura do ano! Como em qualquer montanha, as condições climatéricas podem alterar-se repentinamente, sobretudo em altitudes mais elevadas. Acima dos 800m, o frio e o vento costumam ser muito mais intensos do que em cotas mais baixas. Portanto, em fevereiro, não esperem facilidades no Marão. Estejam sempre preparados para enfrentar um ambiente hostil! Levem agasalhos suficientes (camisolas e calças térmicas, gorro, luvas, etc.). É imprescindível levarem manta térmica. Se alguém se magoar, poderá ter de ficar imobilizado durante muito tempo e, sem a devida proteção térmica, aparece uma coisa chamada hipotermia! Não se esqueçam que, a partir de 4 a 5 horas de corrida, o nosso corpo já não produz tanto calor, o que aumentará o desconforto térmico.

No caso das condições meteorológicas previstas serem demasiado difíceis (por exemplo, nevoeiro intenso, tempestade de neve ou de chuva forte durante todo o dia, frio extremo, etc.), o evento terá de ser adiado.

O percurso

A partida será junto à Pousada de São Gonçalo, a 890m de altitude. Daqui, subiremos a todos os cumes mais importantes da Serra do Marão, fazendo deste percurso uma excelente oportunidade para se conhecer grande parte desta imponente montanha. Iremos, ao longo de aproximadamente 48 km, correr o Marão de norte a sul, desde os limites com a serra do Alvão até às vertentes voltadas para o rio Douro.

Destacam-se os seguintes pontos de interesse:

  • Pena Suar (1239m) – km 5 – situado no extremo norte do percurso, permite avistar a serra do Alvão, o cume da Senhora da Graça, as serras de Fafe, a Cabreira e, lá longe, o Gerês. Daqui poder-se-á avistar igualmente uma boa parte dos cumes que iremos fazer ao longo do percurso.
  • Alto das Veias ou Gaiva (1211m) – km 13 – depois de descermos ao conhecido Alto de Espinho (1020m) e atravessarmos o IP4, temos nova subida íngreme, agora ao cume de onde se avista o vale do rio Marão, com a entrada do túnel do Marão lá ao fundo. Se encostarmos a cabeça ao chão, talvez ouçamos a vibração do tráfego por baixo de nós 🙂
  • Portal da Freita (1347m) – km 15 – apesar deste cume não ser muito proeminente, a ascensão promete ser dura. No topo, encontraremos as ruínas da tentativa de construção do Padrão Comemorativo dos Centenários da Pátria.
  • Senhora da Serra (1416m) – km 21 – depois de descermos em direção a Montes e às Minas de Maria Isabel, subiremos ao ponto mais alto da Serra do Marão, onde se encontram a capela da Senhora da Serra e as antenas de comunicações. Daqui teremos uma vista esplendorosa, sobretudo das cristas da montanha a sudoeste.
  • Fraga da Ermida (1400m) – km 22 – continuaremos em direção a sul, até um penhasco que é seguramente um dos locais mais belos do Marão. Aqui é arriscado fazer selfies!
  • Seixinhos (1278m) – km 26 – sempre pela crista da montanha, em desce e sobe pelos caminhos de acesso às eólicas, chegaremos ao extremo sul do percurso. À nossa direita, teremos o verdejante vale do rio Teixeira e a aldeia de Mafómedes; do outro lado, o vale do rio Douro.
  • Mafómedes (780m) – km 30 – depois de uma descida abrupta e muito técnica ao vale do rio Teixeira, estaremos na única aldeia de montanha que iremos atravessar neste percurso. Oportunidade única para eventuais reabastecimentos.
  • Penedo Ruivo (1168m) – km 32 – a última grande dificuldade do dia, com uma subida de 400m até às imediações das Minas do Teixo e do Penedo Ruivo.
  • Albufeira da Póvoa (915m) – km 37 – nesta fase do percurso, já estaremos sempre em cotas inferiores a 1000m e teremos esta pequena albufeira como um local aprazível onde os mais afoitos poderão dar um mergulho 🙂 A partir daqui, esperam-nos os 11 km finais, sem grandes dificuldades e com vários vales interessantes, nomeadamente os dos rios Ramalhoso e Marão.

O percurso pode ser descarregado aqui (KML) e aqui (GPX).

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Logística

O/a leitor/a que aguentou até aqui estará provavelmente interessado/a em participar na odisseia 🙂 Vamos lá então aos pormenores logísticos.

Horários

Vamos arrancar da Pousada de S. Gonçalo às 7h30 do dia 3 de fevereiro. Nesse dia, o sol levanta-se às 7h40 e põe-se às 17h49. Teremos portanto 10 horas de luz natural, o que será suficiente para o pior cenário de nos deslocarmos a uma média de 5 km/hora. É até previsível que consigamos concluir o percurso em 7 a 8 horas.

Local de partida

A Pousada de São Gonçalo (41° 16′ 32.3286″ N, 7° 55′ 55.9806″ W) fica situada na margem da EN15 e é facilmente acessível a partir do IP4, havendo uma saída mesmo ao lado. O melhor trajeto para quem vem de Amarante é seguir sempre pelo IP4 (não seguir A4/ túnel do Marão, para ir não ir parar a Vila Real!) e sair na indicação Pousada/Marão (saída 21). Para quem vier de Vila Real, as indicações são as mesmas (saída 17).

Equipamento

Para além do vestuário adequado (mais do que uma camada de roupa, camisolas e calças térmicas, gorro, luvas, corta-vento, etc.), recomenda-se manta térmica, telemóvel carregado, relógio com o percurso, água e comida suficientes para um dia na montanha, apito, dinheiro suficiente para algum imprevisto e luz frontal.

Para quem tiver curiosidade em saber como decorre um evento semelhante, recomendamos a leitura do relato da Ronda do Marão, realizada em 2016.

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