O que é?

Peregrinação em contra-relógio

A Ronda dos Cumes Sagrados é um projeto de trail running que teve início em finais de 2014. Inspirou-se na lendária Bob Graham’s Round, um desafio de fell running em contra-relógio pelas montanhas do Lake District (Inglaterra), em que os participantes têm de ascender ao maior número possível de cumes num intervalo de 24 horas, sem qualquer apoio de abastecimentos ou marcações. A Ronda dos Cumes Sagrados pretende implantar o mesmo tipo de desafio nas montanhas do noroeste peninsular. Mas a Ronda vai muito além da competição, pois ambiciona ser um veículo de redescoberta e vivência das montanhas da região, algo que é urgente fazer numa sociedade cada vez mais afastada do seu território. É necessário voltar a celebrar a majestosidade e a beleza dos montes do noroeste peninsular onde, desde há milénios, gerações e gerações de povos fixaram as suas vidas, habitando, trabalhando, e, sobretudo, venerando elementos naturais, pelas suas formas, pela proximidade com o divino, ou, simplesmente, por terem sido a última morada de antepassados.

Quando?

Em 2015, a primeira Ronda de sempre – a Ronda de Lapinha-Montelongo – teve lugar a 21 de junho, no mesmo dia da Ronda da Lapinha – um dos expoentes máximos das procissões religiosas pelos montes do noroeste peninsular. A 6 de fevereiro de 2016, foi a vez da Ronda do Marão e, a 30 de julho de 2016, foi feita uma tentativa não concretizada na totalidade de completar a Ronda de Basto.

As próximas Rondas dependem apenas da vontade de algum candidato em realizar um dos percursos propostos. Atualmente, há três percursos oficiais: Lapinha-MontelongoMarão e Basto.

Como?

A Ronda dos Cumes Sagrados é para ser preparada e levada a cabo pelos próprios participantes. Portanto, não existe nenhuma organização que assegure abastecimentos ou marcações. Cada participante deverá estudar e planear o percurso da Ronda, podendo seguir o percurso que anteriores participantes tenham partilhado ou definir o seu próprio percurso. O participante poderá ser acompanhado por outros atletas em segmentos ou na totalidade do percurso. Os abastecimentos poderão ser transportados do início ao fim pelo participante ou, em alternativa, poderão ser colocados à disposição ao longo do percurso, por exemplo, por uma equipa de apoio.

Consulte aqui as regras para saber o que é necessário para ser um finisher da Ronda dos Cumes Sagrados.

Porquê?

Os montes do noroeste peninsular estão cobertos de vestígios de ocupação ancestral – castros, mamoas, antas, menires, calçadas, muros e muralhas… Durante séculos e até à baixa idade média, as comunidades viveram estabelecidas nestes cumes, principalmente por razões defensivas. A ocupação romana, em muitos casos, não alterou estas práticas, embora fosse atraindo os povoamentos para os vales.

Gradualmente, os topos dos montes foram sendo abandonados como local de residência pelas comunidades. As construções entraram em ruína, as pedras foram levadas para os vales, e, em poucos séculos, apenas ficaram os vestígios. No entanto, no inconsciente coletivo, permaneceu a lembrança da vivência profana e sagrada naqueles cumes. De tal forma que permaneceram inúmeras tradições, crenças e lendas, apesar da tendência religiosa contrária. Por cima dos santuários pagãos e das aldeias de granito, foram sendo construídas capelas, novas lendas e novas santas protetoras. O povo esqueceu as venerações pagãs, mas manteve até hoje o respeito por estas elevações, de tal forma que poucos são os cumes desta região que não tenham uma referência religiosa ou mesmo um santuário.

Capela de São Salvador

Capela de São Salvador, originalmente erigida em 1444

A Ronda dos Cumes Sagrados tem por principal objetivo devolver o carácter sagrado dos montes do noroeste peninsular à consciência dos habitantes e visitantes desta região. A subida a um destes cumes é um gesto que repete as procissões e peregrinações dos nossos antepassados e que nos aproxima ao mesmo tempo da terra e do divino.

A Ronda atingirá plenamente os seus objetivos quando se multiplicar anualmente em variados percursos pelo noroeste peninsular.

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