Grande Ronda pela Serra Amarela

“Um dia pela Serra Amarela, a percorrer vezeiras, a visitar fojos de lobos e a quebrar a cabeça no enigma de quinze ou vinte casarotas perdidas numa chapada.”

Miguel Torga, numa visita à Serra Amarela, em 25 de Julho de 1945

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Tendo por base o percurso da GR34, a grande rota interpretativa da Serra Amarela, promovida pela Adere Peneda Gerês, e da qual se podem consultar mais detalhes aqui, pretendemos realizar uma jornada de trail running norteada pelos princípios da Ronda dos Cumes Sagrados – diversão, descoberta, autonomia, espírito aberto àquilo que a montanha nos pode dar de bom (ou de mau!), tudo corrido de cume em cume em ritmo de passeio.

A aventura terá como ponto de partida a aldeia de Campo do Gerês, em Terras de Bouro. Dali rumaremos em direção à albufeira da barragem de Vilarinho da Furna, e entraremos no trilho da GR do outro lado da barragem. O trilho circular tem cerca de 35 km e percorre em caminhos de pé posto, carreteiros ou calçadas, as duas vertentes da Serra Amarela – a norte voltada para o rio Lima e a sul inclinada sobre o rio Homem e barragem de Vilarinho da Furna. Os principais pontos de interesse da GR34 são, entre outros, o Alto da Louriça (1364m), Branda de Bilhares, Ermida, Vale de Carcerelha, Campos do Vidoal, Germil, Cutelo, Chã do Salgueiral, Vilarinho da Furna, Curral de Porto Covo, Curral do Ramisquedo, Cabana de Bentozelo, Cabana de Martinguim.

Dependendo das condições que encontrarmos, é provável que façamos desvios à GR para visitarmos o Alto da Carvalhinha (1092m) ou o Penedo do Eido.

Logística

Partida

A partida de Campo do Gerês será por volta das 7h30 do dia 12 de novembro, nas imediações da Albergaria Stop, na rua da Geira. Esta data poderá ter de ser alterada caso as condições meteorológicas se prevejam adversas a este tipo de atividade.

Equipamento

Recomenda-se equipamento adequado à dificuldade da atividade e aos riscos inerentes, nomeadamente:

  • mochila com capacidade para água e alimentação suficientes para um dia inteiro na montanha, contando com a existência de pontos de água em vários locais
  • preparação para o percurso: relógio com o track carregado, estudo prévio do percurso
  • preparação para o frio: corta-vento, camisola térmica, luvas, gorro, manta térmica, etc.
  • preparação para imprevistos: telemóvel, frontal, backup do percurso noutro dispositivo

IMPORTANTE: esta atividade é totalmente gratuita e não é coberta por qualquer seguro.

Percurso

O percurso terá entre 40 km e 45 km, contando com o trajeto entre Campo do Gerês e o trilho da GR34 e dependendo dos desvios que se fizerem à rota. Podem obter o track da GR34:

Prevê-se o regresso a Campo do Gerês antes do pôr-do-sol, por volta das 17h00.

 

GR43: um ultra-passeio pelas Terras Altas de Fafe (I)

Não é fácil convencer alguém a correr 50 km a feijões, muito menos em novembro, com frio, poucas horas de luz natural e com tantas provas a competir com os feijões. Mas, na verdade, o desafio proposto era bem mais do que um treino mais longo. Era sobretudo uma oportunidade única para conhecer grande parte da zona norte de Fafe e a sua luxuosa coleção de trilhos e paisagens multifacetados, tudo na companhia de gente preciosa, que sabe valorizar e traz grande valor a estas experiências. E também de fazer história, pois seríamos os primeiros a completar a GR43 a correr! E assim oito malucos se decidiram a levantar-se bem cedo numa madrugada gelada de outono, para viver mais uma experiência inesquecível.

Ao contrário de vários ultra-trails em que já participei, não senti qualquer ansiedade antes do desafio. É verdade que a distância já não era novidade para mim, mas sabia também que não iria sentir qualquer pressão durante a longa jornada. Iríamos correr ao ritmo que conviesse a todos e esperar as vezes que fossem necessárias para nos reagruparmos, sem pressões horárias, e isto tudo apesar da heterogeneidade do grupo – desde os rookies até aos atletas com extenso currículo.

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Pedro, Rui, André, Miguel, Frederico, Gil, Mauro e eu atrás da câmara. Não parece, mas estamos todos a tremer de frio!

Antes da hora combinada, já todos estavam a esfregar as mãos de frio à frente da igreja de Várzea Cova. Uma forte geada cobria os campos à volta. Com uma temperatura muito próxima de zero, todos estavam com vontade de arrancar o mais rapidamente possível. Depois das boas-vindas e apresentações dos aventureiros Rui e Pedro, vindos expressamente do Porto para conhecer as montanhas de Fafe, o grupo seguiu calmamente viagem em direção a Bastelo.

Ainda não tinha decorrido 1 km e surgia a primeira hesitação no percurso, devido a marcação deficiente da GR. Valeu-nos o Gil, que já tinha feito o trajeto naquela direção há poucos meses e que rapidamente reconheceu o trilho a seguir. Dali até Bastelo, seguimos a já conhecida Rota dos Espigueiros (PR5), que coincide com a GR. O sol já ia mais alto e já começávamos a libertar-nos de alguma roupa que trazíamos a mais. Deixávamos também para trás os campos, os regatos, e os agradáveis cheiros da aldeia, e entrávamos na montanha, onde são outras as fragrâncias e as vistas, já descritas em anterior aventura.

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Troço exclusivo da GR43, entre Bastelo e Aboim

Lá em cima, avistávamos o Gerês envolto num nevoeiro que mais parecia um manto de neve. Seguíamos agora pelo troço que corresponde à rota de Aboim (PR3). Nesta zona, costumam estar garranos a pastar às primeiras horas do dia, mas é agora difícil avistá-los, com a temperatura mais agreste. Invadimos calmamente a aldeia e trepamos ao morro onde se encontra o ícone da freguesia, em boa hora recuperado. Depois das fotografias obrigatórias ao moínho de vento, regressámos à GR.

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Primeiro postal da manhã, ao lado do moínho de Aboim

Num momento de distração, junto à igreja, quase que perdíamos o trilho, que até nem estava mal sinalizado. De novo no monte, seguimos um belo carreiro que nos leva a Figueiró do Monte. Sabia de antemão que encontraríamos ali uma dificuldade, que se confirmou: o desvio por um pequeno trilho que acompanha um regato está completamente coberto de fetos e tojo, sendo necessário forçar passagem por entre a vegetação. Estes momentos mais selvagens também tornam especiais estas experiências. Todos se queixam dos arranhões, mas, lá no fundo, fica sempre uma sensação de vitória.

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Roça-mato algures entre Aboim e Figueiró do Monte

Pouco depois, estávamos novamente em terreno acessível. Desembocámos numa estrada asfaltada e percorremos assim algumas centenas de metros até à aldeia-fantasma de Figueiró, onde parámos para o primeiro abastecimento, após cerca de 1h30 de corrida. O ponto de água da aldeia estava seco, mas ainda tínhamos algumas reservas nos cantis. Demoramo-nos um pouco, a alimentar uma boa conversa.

Retornámos ao caminho, enérgicos, em direção a Barbeita. Deixámos de correr para norte e estávamos agora a rumar a ocidente, junto aos limites de Vieira do Minho. Não perdemos a oportunidade de tirar umas boas fotos no caminho que ladeia uma bela torre megalítica natural. Está toda a gente bem disposta. Os colegas do Porto deliciam-se com as esplendorosas vistas para a barragem do Ermal e fazem promessas de voltar com mais amigos. É a boa nova do paraíso fafense a espalhar-se.

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A caminho de Barbeita, por um dos trilhos mais bonitos da GR

Chegados às imediações de Barbeita de Cima, enfiámo-nos frequentemente em terras ensopadas e em lamaçais. De nada serve tentar evitar o contacto desagradável, pois há água por todo o lado. Se não entrar bosta de vaca para dentro das sapatilhas, menos mau! Até Mós, iremos encontrar frequentemente este tipo de terreno, com exceção de uma descida vertiginosa e ziguezagueante por entre um belo carvalhal. Lá em baixo, junto ao lameiro, encontrámos uma expressão clara de afirmação de propriedade de alguém que ainda deve estar a disputar a passagem com a PR3/GR43. Saltamos as vedações e subimos até Mós, onde somos recebidos à entrada da aldeia por um cavalo, no meio da estrada, com ar de não saber muito bem o que estava ali a fazer.

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Monte das Lameiras, com a Cabreira ao fundo

Esperava-nos agora uma das subidas mais difíceis da GR, até ao monte das Lameiras, não muito longe do ponto mais alto do concelho de Fafe – o alto de Morgair. Corremos depois ao longo da crista, com vistas ímpares para vários monumentos naturais da região. É obrigatório parar para mais umas fotos e também para recuperar fôlego. Estávamos a chegar à bifurcação onde nos iríamos separar do grupo que vinha fazer os 25 km. O Mauro, que tinha de regressar mais cedo, ia agora acompanhar o Pedro e o Rui – vieram para fazer 15 km e entusiasmaram-se para mais 10 – até Várzea Cova, pelos belos trilhos de São João da Ramalheira, enquanto o restante grupo seguia em direção a Gontim. Estávamos quase a meio da GR, com cerca de 3 horas de corrida. Ninguém se queixava de dores ou de cansaço. O sol continuava a aquecer-nos. Estava um dia perfeito para correr 50 km!

[clique aqui para ler a segunda parte]

Dicas para o Free GR43

Estás a pensar participar no Free GR43, no próximo dia 28? Então lê os parágrafos seguintes com atenção, independentemente de te atirares aos 15, 25, ou 50 km.

Estou com toda a pujança e toda a cagança para os 50 km!

Porreiro! Já somos uns quantos! Mas antes de te aventurares, certifica-te que estás preparado mental e fisicamente para um esforço de corrida muito prolongado, provavelmente superior a 8 ou 9 horas. Vai ser duro, especialmente a partir dos 30 km. Vamos subir elevações que totalizam cerca de 1600 metros. Conta também com outro tanto desnível a descer. É possível que nos percamos uma ou outra vez e que façamos mais alguns kms do que o previsto. Se nos atrasarmos muito, é possível que terminemos a GR de noite. Tens de estar preparado para tudo.

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Vê bem no que te vais meter…

Se estás preparado para tudo, então estuda as notas abaixo. O ponto de encontro é junto à igreja de Várzea Cova (41°30’30.58″N, 8° 4’10.24″W), onde há um amplo parque de estacionamento. A partida será por volta das 7h30m (evento Facebook). Seguiremos a GR 43 na direção contrária aos ponteiros do relógio. Podes encontrar o traçado do percurso aqui. Os principais pontos de referência são os seguintes:

  • Bastelo – km 3 (há um café)
  • Aboim – km 7 (há café e táxi)
  • Figueiró do Monte – km 11 (há água)
  • Barbeita – km 13 (há água)
  • Mós – km 16 (há água)
  • Gontim – km 20 (há água)
  • Luílhas – km 23 (há café e táxi)
  • São Miguel do Monte – km 28 (há café)
  • Pontido (barragem da Queimadela) – km 32 (há café)
  • Pedraído – km 39 (há café)
  • Lagoa – km 45 (há café e táxi)

Lembra-te que as únicas marcações que encontrarás ao longo do percurso são as da própria GR 43, feitas para pedestrianistas e não para corredores! Portanto, olhos bem abertos! Não haverá ninguém a ajudar-te, a não ser que corras juntamente com o grupo – opção mais sensata.

Em Várzea Cova, espera-te um banho quente e uma refeição, no Piovácora Parque Pesca. Se quiseres usufruir dos serviços do Piovácora Parque Pesca, o custo previsto andará à volta dos 15 euros – dependendo do teu apetite -, mas tens de te inscrever previamente aqui.

Recomendamos o seguinte material para transportares contigo durante o desafio:

  • mochila com reservatório de líquidos com capacidade de 1 litro
  • reserva alimentar – não há abastecimentos e não é garantido que haja comida nos cafés que encontrarás no percurso, portanto leva barras, sandes, fruta, qualquer coisa que o teu corpo costuma aceitar bem neste tipo de esforços
  • corta-vento, buff e luvas – vai estar frio e as montanhas de Fafe são muito ventosas
  • manta térmica – se te acontece alguma coisa e ficas imobilizado no meio do nada, pode salvar-te a vida
  • mini-kit de primeiros socorros – pensos e medicação para dores
  • apito – se te perdes do grupo e precisas de chamar por alguém…
  • frontal – nunca se sabe a que horas vamos chegar
  • telemóvel – não é preciso explicar
  • dinheiro – para algum imprevisto e para beber umas minis

Não posso fazer os 50 km, mas também quero divertir-me!

És bem-vindo(a)! Quantos mais alinharem à partida, melhor! A festa será maior. Tens duas opções de trajeto:

  • Acompanhar o grupo até Aboim e depois seguir pelo PR7 (a vermelho no gráfico abaixo) até encontrar novamente a GR 43, e regressar a Várzea Cova. Este trajeto deverá rondar os 15 km.
  • Acompanhar o grupo até ao Monte das Lameiras e regressar a Aboim pelo PR3 (a azul no gráfico abaixo) e depois seguir pelo PR7 até encontrar novamente a GR 43, e regressar a Várzea Cova. Este trajeto deverá rondar os 25 km.
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Ligações ao PR3 (a azul) e PR7 (a vermelho)

Os PR3 e PR7 estão sinalizados, embora não seja garantido que as marcações estejam em perfeitas condições em todo o percurso. Além disso, lembra-te que é provável que, no grupo que te acompanha, ninguém conheça o PR3 ou o PR7! Portanto, recomendamos que leves no teu relógio os respetivos percursos, que poderás descarregar a partir do Wikiloc:

Caso te queiras juntar mais tarde ao convívio que haverá no Piovácora Parque Pesca, em horário imprevisto – depende de quando os participantes da GR 43 terminarem o percurso -, a refeição terá um custo à volta de 15 euros – dependendo do teu apetite. Poderás inscrever-te aqui.

Vê acima o material recomendado, nas dicas para os 50 km. Apesar da distância ser mais curta, nunca se sabe…

O ponto de encontro é junto à igreja de Várzea Cova (41°30’30.58″N, 8° 4’10.24″W), onde há um amplo parque de estacionamento. A partida será por volta das 7h30m (evento Facebook).